Região da universidade para novatos: um infográfico de boas-vindas

Como orientar calouros com informação clara, humor e identidade visual própria.

Contexto e desafio

Todo semestre, uma leva de novos estudantes chega ao Centro de Artes da UFPel. Vindos de diferentes cidades, muitos se deparam com uma região desconhecida — e com a difícil missão de encontrar uma padaria aberta cedo, uma xerox que não cobra o olho da cara ou um lugar para procrastinar entre uma aula e outra. A demanda era clara, mas o apoio, inexistente.

Diagnóstico e estratégia

À época, o Centro de Artes da UFPel não havia identificado essa demanda de forma estruturada — simplesmente não existia nenhum material de apoio que reunisse, de forma prática e acessível, os estabelecimentos de utilidade acadêmica e lazer nos arredores do porto. Faltava um guia que falasse a língua do calouro — e que fosse além de um mapa seco.

O briefing definiu o público-alvo (estudantes ingressantes, a partir de 17 anos), os canais de distribuição (cartaz para o mural do CA, folhetos de bolso e versão digital) e o tom da comunicação. A estratégia central foi tratar o conteúdo de forma divertida e imagética, usando ilustrações e uma linguagem coloquial para evitar que a informação se tornasse massante — afinal, ninguém quer ler um manual chato sobre onde comprar material.

Direção criativa

Organizei as informações em níveis de hierarquia visual: o mapa (ocupando cerca de 50% do cartaz) como elemento principal, complementado por blocos temáticos com títulos padronizados (“Aonde ir quando…”) que agrupam os lugares por necessidade: fome, sede, leitura, provas de última hora, material esquecido, remédios, compras e, claro, procrastinação.

A escolha tipográfica foi pensada para criar contraste e guiar a leitura: tudo calibrado para que o olho percorresse o infográfico de forma natural, sem sobrecarga. As cores vibrantes sobre fundo neutro garantem legibilidade e evitam fadiga ocular, enquanto as ilustrações orgânicas conectam o mapa aos blocos de texto de maneira fluida, dispensando um grid rígido e reforçando o caráter descontraído do projeto. Os princípios da Gestalt guiaram a percepção visual e a hierarquia da informação.

Desenvolvimento e iterações

A primeira versão foi disponibilizada online e submetida à avaliação de calouros (público-alvo), professores, colegas designers e profissionais da área. O retorno foi positivo: os estudantes consideraram o material claro, informativo e bem direcionado. Mas as críticas construtivas de outros públicos foram essenciais para o refinamento.

Com base nessas sugestões, realizei ajustes precisos: inseri os prédios do Centro de Artes, ICH e Arquitetura no mapa; reposicionei a nomeação das ruas; numerei os locais para facilitar a correlação com o mapa; aumentei o título e o corpo dos textos; adicionei um texto introdutório que contextualiza o leitor logo de cara; e revisei a linguagem para a segunda pessoa do singular, tornando-a mais direta e próxima.

Resultado e impacto

O infográfico final foi fixado no mural do CA e também disponibilizado em versão digital, cumprindo seu papel de acolher os novos alunos com informação útil e um sorriso no rosto. Mais do que um mapa, ele se tornou um ponto de referência afetiva — uma espécie de “primeiro amigo” na cidade nova.

O projeto evidencia como o design da informação pode ir além da funcionalidade: ao combinar dados precisos, hierarquia visual bem construída, fundamentos da Gestalt e um toque de humor, criamos uma peça que é ao mesmo tempo prática, memorável e alinhada à cultura do Centro de Artes.

Ficha técnica

  • Infográfico impresso (cartaz A2) + versão digital
  • Ilustrações originais, tipografias personalizadas, paleta de cores vibrantes
  • Cliente: Centro Acadêmico de Design (CADe) – UFPel
  • Ano: 2011